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08/01/2018 14:08:00 - Atualizado em 08/01/2018 14:12:00 -

Cultivo de cana movimenta R$ 100 bilhes e cria 28 Estado

No mapa, so 27 os estados do Brasil, considerando o Distrito Federal. Mas uma regio nas fronteiras dos estados do Paran, Mato Grosso do Sul, So Paulo, Minas Gerais e Gois ganhou o status de 28 estado informal.
 
Surgido a partir do avano da cultura de cana-de-acar nas ltimas dcadas, esse novo estado tem 250 municpios em seu territrio, onde vivem cinco milhes de trabalhadores. Tem dinmica, leis e oramento prprios, alm de influncia econmica e poltica, que garantem ao Brasil o posto de maior produtor de cana-de-acar do mundo.
 
Esta a concluso de um estudo do pesquisador ngelo Cavalcante, doutorando pelo Programa de Ps-Graduao em Geografia Humana da Faculdade de Filosofia, Letras e Cincias Humanas (FFLCH) da USP. Segundo ele, trata-se de um estado autnomo, que, com a produo de energia eltrica, biomassa, etanol e acar, movimenta mais de R$ 100 bilhes ao ano.
 
Essa regio na fronteira de cinco estados brasileiros funciona como uma unidade federativa, a partir de uma dinmica prpria determinada pela produo da cana. O Aqufero Guarani, formao geolgica de armazenamento subterrneo de gua, assegura o sucesso da produo de cana-de-acar nessa regio, que responde por mais de 80% da produo canavieira do pas diz Cavalcante, professor da Universidade Estadual de Gois, em Itumbiara.
 
A expanso desse territrio, segundo o especialista, tambm trouxe problemas. Como os ambientais, com a cana avanando sobre reas de cerrado em Gois e de Mata Atlntica em So Paulo. Cavalcante observa que no houve discusso ambiental nem resguardo de reas rurais, onde era praticada uma agricultura familiar. Alm disso, pequenos agricultores que tiveram suas terras arrendadas ou compradas por grandes grupos canavieiros migraram para as cidades.
 
Lavradores, extrativistas, indgenas e quilombolas perderam seu habitat e passaram a viver em reas desassistidas pelo poder pblico, alguns em submoradias. gente que no est acostumada a viver em cidades diz Cavalcante.
 
Em So Paulo, um levantamento feito no ano passado pela Embrapa Monitoramento por Satlite comprova o avano da cultura no estado. Por meio de imagens de satlite de 125 municpios, o trabalho mostrou que as reas de cana, que h 30 anos ocupavam um milho de hectares, hoje ocupam 2,3 milhes. Ao longo desse perodo, o lucro da atividade canavieira foi superior ao de outras atividades, o que estimulou esse avano. Uma das culturas que mais cedeu terreno cana foi a citricultura, segundo a Embrapa.
 
Na cidade paulista de Bebedouro, por exemplo, que era a capital da laranja, essa cultura comeou a declinar, a partir de 2008, e deu lugar cana. Os custos altos de produzir os ctricos, o preo baixo pago pela indstria, os estoques altos e o greening (doena que ataca os ctricos) acabaram influenciando na substituio pela cana diz Carlos Cesar Ronquim, pesquisador da Embrapa e coordenador da pesquisa.
 
A Unio da Indstria da Cana-de-Acar (Unica), que representa mais de 50% da produo nacional, informou em nota que, desde 2009, a expanso do cultivo regulada pelo Zoneamento Agroecolgico da Cana, criado pelo governo federal, orientando o crescimento do setor. A cultura da cana, diz a Unica, no pode avanar sobre vegetao nativa, como cerrado. Tambm proibido o plantio em terras indgenas.
 
Segundo a entidade, a maior parte da rea utilizada no cultivo de cana, em anos recentes, era de pastagens degradadas. No cerrado, a expanso para a produo de etanol, a partir de 2003, aconteceu exatamente sobre pastagens e entre uma ou duas safras de soja, diz a entidade, que garante que seus associados obedecem legislao.
 
Alm disso, assegura a Unica, a produo de cana no depende nem se beneficia do Aqufero Guarani e, em sua maior parte, usa guas superficiais, no subterrneas. A associao argumenta ainda que o avano da cana melhorou, em termos econmicos, a vida da populao das cidades que passaram por esse processo.
 
Entre 2000 e 2008, a expanso da cana em So Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Gois e Distrito Federal aumentou em pelo menos R$ 1 mil o PIB per capita mdio de 2,3 mil cidades, afirmou a Unica em nota, citando ainda que, em 2016, foram gerados 794.911 empregos formais no setor sucroenergtico brasileiro.
 
A Unica argumenta ainda que o avano da cana sobre as plantaes de laranja em So Paulo, apontado pelo levantamento da Embrapa, foi decorrente da queda da demanda mundial pelos ctricos.
 
E o preo pago pela cana, atualmente, calculado pelo teor de sacarose e regulado pelo mercado. Isso levou a uma revoluo do setor, aps o fim do controle de preos do governo, j que os produtores tiveram de investir em variedades mais produtivas. Antes, pagava-se pelo peso da cana afirma Antonio de Pdua, diretor tcnico da Unica.
 
Mas estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam queda de 3,3% na safra 2017/2018 de cana no pas. Sero 635,59 milhes de toneladas, contra 657,18 milhes na safra anterior. Esse recuo, segundo a Conab, seria resultante de uma retrao na rea cultivada.
 
 
Fonte: Revista PEGN (editado)

 







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