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15/05/2017 15:31:00 - Atualizado em 15/05/2017 15:45:00 -

Setor sucroenergtico pode viver nova onda de fuses e aquisies

A reao esboada pelo setor de acar e etanol a partir do ano passado tender a reanimar em alguma medida o mercado de aquisies, esperam consultores e especialistas, ainda que a intensidade desse movimento provoque discordncias naquelas reas. 
 
No ano passado, segundo nmeros da EXM Partners, da PwC, da Deloitte, da Czarnikow e da RPA Consultoria, cinco usinas trocaram de dono, somando uma capacidade instalada muito prxima de 20 milhes de toneladas, em torno de 3% da cana da regio Centro-Sul, em negcios estimados em alguma coisa acima de R$ 2 bilhes, evolvendo desembolsos diretos e assuno de dvidas.
 
O ritmo das transaes j havia sido mais promissor do que em 2015, quando, na estatstica do diretor de corporate finance da consultoria Czarnikow, Luis Felipe Trindade, foi registrada apenas uma aquisio.
 
Em uma transao concluda em dezembro daquele ano, o Grupo Ruette, dono de duas usinas de cana em So Paulo, com capacidade para 4,5 milhes de toneladas, foi comprado pelo fundo de private equity Black River Agriculture Fund 2, da gestora Black River, em um investimento de R$ 151 por tonelada de capacidade. 
 
Neste momento, assinala ele, havia "uma srie de processos em andamento na rea de corporate finance (finanas corporativas, em traduo aproximada), incluindo alguns de fuso e aquisio ainda no forno, depois de cinco anos com poucas operaes fechadas nesta rea".
 
"De fato, o ambiente tende a favorecer a volta das operaes de fuses e aquisies no setor de forma progressiva, em uma intensidade diferente daquela observada em 2010 e 2011, mas com elevao no nmero de operaes e nos valores de transaes", observa Trindade.
 
Segundo ele, o mercado registra, atualmente, uma presena mais forte de players que j atuam no setor, em busca de sinergia para o seu negcio. Da mesma forma, percebe-se o interesse tambm de investidores estrangeiros, sobretudo do Oriente Mdio e da sia.
 
"Em resumo, 2017 pode ser um ano mais ativo do que 2016".
 
Na avaliao de Wendel Caleffi, scio da EXM Partners, o mercado tem dado sinais efetivos de alguma reao, com maior procura de investidores, especialmente estrangeiros. Ricardo Pinto, scio e fundador da RPA, observa que a "temporada de due diligence no setor foi reaberta agora", com a demanda de liderada por grupos da Europa e do Oriente Mdio. Depois de dois anos sem procura, a RPA conclui duas operaes em So Paulo, fechou contrato com mais duas usinas, tambm em territrio paulista, e iniciou as tratativas de uma usina em Mato Grosso.
 
"H cerca de um ms fizemos uma due diligence para um grupo do Oriente Mdio, interessado na aquisio das duas usinas da Abengoa Bioenergia em So Paulo. Um grupo europeu sinalizou interesse em contratar a
avaliao de um grupo de mdio porte do Centro-Sul, em mais um sinal de que o mercado de fuses e aquisies experimentam uma retomada", afirma Pinto.
 
Os investidores, no entanto, continuam bastante conservadores, na viso de Alessandro Ribeiro, lder para a rea de fuses e aquisies da PwC, e de Paulo Pinese, scio da consultoria Deloitte para a rea de agronegcio.
 
"A novidade que os preos (do acar e do etanol) esto mais favorveis e o valor das usinas est mais baixo do que na fase de boom desse mercado, entre os ciclos 2009/10 e 2011/12", comenta Ribeiro.
 
Pinese acredita que uma segunda onda de consolidaes no setor ainda dever ocorrer.
 
Neste momento, porm, o mercado "est toda apenas do lado da venda. Simplesmente no h quem se arrisque a comprar", refora ele.
 
Na avaliao de Pinese, a curva de rentabilidade das usinas, na mdia, ainda no suficiente para "gerar um clculo econmico slido para justificar o investimento em aquisies desse porte". 
 
Ele cita o caso do leilo da unidade de Promisso da Renuka, atualmente em recuperao judicial, que foi frustrado por falta de investidores e relembra que "tentativas de venda de outros grupos tambm no levaram ao fechamento de negcios".
 
Na hiptese de uma segunda onda de consolidao, Pinese descarrega suas apostas na China, que dispe de
capital e poderia assumir uma participao relevante no mercado brasileiro de aquisies.
 
"Os investidores devero olhar principalmente usinas em recuperao judicial com dificuldades de financiamento e usinas que precisam de capitalizao", sugere. Fundos de investimento, especialmente estrangeiros, acrescenta Ribeiro, estariam avaliando usinas com boa capacidade de gerao de caixa.
 
Mais atrativas
 
Caleffi identifica dois tipos de usinas disponveis e que poderiam ser mais atrativas a investidores potenciais, mencionando, primeiramente, aquelas unidades que entrarem em operao ainda durante o boom mais recente de investimentos do setor, em 2009, que enfrentam nveis de alavancagem ainda elevados e se encontram em  recuperao judicial. 
 
No segundo grupo, o scio da EXM Partners inclui usinas mais antigas, das quais muitas sem cogerao de energia, mas com boas reas de lavoura e bem posicionadas em relao logstica de operao.
 
Entre elas, Caleffi aponta as usinas So Fernando, da famlia Bumlai, localizada em Dourados (MS), com
capacidade para 4,5 milhes de toneladas, e a So Simo, do Grupo Andrade, instalada no municpio de mesmo nome em Gois.
 
"So usinas novas, que estavam alavancadas e no conseguiram servir suas dvidas de 2010 em diante", afirma.
 
A EXM est concluindo o processo para o leilo da So Fernando, que envolver a constituio de uma unidade produtiva isolada (UPI), conforme prev a Lei de Recuperao Judicial, em um modelo que oferece "maior proteo legal ao investidor disposto a assumir o passivo e entrar com dinheiro novo no negcio", sustenta Caleffi.
 
O pacote todo, incluindo a planta industrial e canaviais, est avaliado em R$ 1,1 bilho, em grandes nmeros, e a gestora americana de fundos de investimento Amerra estaria entre os interessados, assim como o grupo Cevital, maior companhia privada da Arglia.
 
A soluo pensada para a So Simo, igualmente sob recuperao judicial, dever seguir o modelo mais convencional de aquisio. "Estamos falando de uma usina com capacidade de 3 milhes de toneladas, com nveis baixos de contingncias e endividamento em torno de R$ 550 milhes", afirma Caleffi. "Quem entrar no negcio teria que fazer um investimento de R$ 100 milhes para que a usina retorne capacidade de operao plena", completa.
 
Entre os interessados em usinas brasileiras, alm da Amerra e da Cevital, Ricardo Pinto relaciona ainda o grupo paquistans Fatima, com ativos na rea de fertilizantes, txteis, acar e energia, que teria sob a mira a usina Madhu, da Renuka do Brasil, localizada em Promisso (SP), e as usinas da espanhola Abengoa Energia. 
 
J o Proterra Investments Partners (que tem a Cargill como um dos acionistas) teria firmado, assim como o fundo Castlelake, termo de confidencialidade para consultar informaes sobre a planta da Renuka. 
 
A mesma usina ainda estaria sendo analisada pela brasileira RK Partners, que mantm joint venture com a Cerberus Capital.
 
fonte: www.novacana.com

 







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